A revolução do casamento por amor em uma xícara de chá

A revolução do casamento por amor em uma xícara de chá Em minha pesquisa sobre a história do casamento por amor, quatro escritoras aparecem como centrais na construção de uma consciência acerca do papel da mulher para além da conveniência e dos contratos financeiros que envolviam os noivados de antigamente: Christine de Pizan (1363-1430), Mary Astell (1666 – 1731), Mary Wollstonecraft (1759-1797) e a nossa amada romancista Jane Austen (1775-1817). Hoje, ao apresentar essa pesquisa durante minha palestra Reflexões literárias sobre o casamento por amor, no congresso Jane Austen Brasil 2025, realizada em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul, o CEFET MG e a Sociedade Jane Austen Brasil, fui desafiada por uma aluna a imaginar um diálogo entre estas quatro mentes brilhantes. Como seria esta conversa? Puxe sua cadeira, pegue sua xícara de chá, e vem ver o que imagino que elas diriam uma para a outra! Elas se reuniram ao fim da tarde. Não em um salão nobre nem em um claustro, mas em uma biblioteca. Em torno de uma mesa redonda, trocaram olhares, serviram chá. Christine de Pizan abriu a roda, afinal, era a mais velha. Sentou-se sem cerimônia e colocou sobre a mesa a planta de uma cidade em que cada tijolo simbolizava uma mulher inteligente, atuante, capaz de colaborar na vida social. Uma “cidade de damas”, feita de palavras, de nomes de mulheres. “Antes de tudo”, disse, “foi preciso provar que não éramos monstros nem erros da criação. Escrevi porque vi que a História havia se tornado uma acusação constante contra nós. Construí, então, uma cidade de sonho, erguida com o talento de mulheres diversas e complementares.” Mary Astell, a segunda na ordem do nascimento, aplaudiu com sobriedade e respondeu que não bastava sonhar e planejar. “Temos de instigar a reflexão sobre como educamos as mulheres! Pois nenhuma escolha pode ser inteligente se a razão é negada desde a infância”. Mary Wollstonecraft concordou totalmente e não esperou convite para tomar a palavra: lembrou que a sociedade ensina fragilidade para as mulheres e depois as pune por “serem o sexo fragil”. E lembrou ainda que “virtude sem liberdade é apenas obediência bem-vestida”. Afinal, as mulheres precisam ser reconhecidas como “seres racionais”. Atenta e perspicaz, Jane Austen permaneceu em silêncio por um momento, observando. Tomou mais um gole de chá e então disse que assinava embaixo, as mulheres precisam sim ser reconhecidas como “seres racionais”, mas que algumas verdades precisavam ser ditas nas entrelinhas — como um cavalo de Troia, que, disfarçado, atravessa os muros para então revelar sua força. “Se escrevermos apenas tratados e manifestos, falaremos para meia dúzia”, afirmou. “Proponho a ficção. Histórias interessantes, bem-humoradas, capazes de desarmar resistências. O que seria melhor do que o riso e a leitura de um bom romance? Vamos fazer o mundo se apaixonar por protagonistas inteligentes. Mostrar que mulheres racionais não casam sem amor, pois razão e sensibilidade caminham juntas numa sociedade saudável. A sábia Christine sorriu, como quem reconhece uma filha. Sim, seu legado estava vivo, quatro séculos depois. Sim, a pena mudava de mãos. E ainda muda. Hoje, cabe às mulheres contemporâneas usufruir com inteligência da deliciosa liberdade de ler todas as nossas quatro escritoras. E refletir sobre algo essencial: seja de ontem ou de hoje, nenhuma mulher aceitaria mais o silêncio como destino. Manoela Cesar Manoela Cesar é palestrante, consultora, mentora e pesquisadora da História dos Rituais. Sempre que recebe um chamado, também celebra casamentos laicos. Posts mais recentes All Posts História do Casamento A revolução do casamento por amor em uma xícara de chá História do Casamento: a tradição da Lista de Presentes Categoria Business Wedding Colher de Chá Destination Lab História do Casamento Radar Wedding Business Tags Business Wedding Colher de Chá Destination Lab História do Casamento Radar Wedding Business
História do Casamento: a tradição da Lista de Presentes

História do Casamento: a tradição da Lista de Presentes A história da Lista de Presentes de Casamento Desde a antiguidade, presentear é um ato repleto de simbologias que expressam conexão, reconhecimento e respeito ao outro. Como dizem os sábios: “oferecer um presente é uma forma de se fazer presente!“. Ao presentear, estamos materializando nossa intenção de permanecer junto a alguém. Não por acaso, faz parte do ritual fazer uma surpresa e envolver o presente dentro de um papel, amarrar um bonito laço na embalagem e anexar um cartão com votos de celebração. – Há milhares de anos, presentear simboliza nossa intenção de construir laços e conexões, sejam elas afetivas e até mesmo diplomáticas, profissionais – ensina o historiador e consultor Jair Marcatti. O primeiro registro de um presente de casamento data de 3 mil anos antes de Cristo, na Suméria. Conhecido como dote, este presente era, na verdade, um montante financeiro oferecido pelo pai da noiva ao futuro genro, na intenção de colaborar nos custos de sua filha. Por sua vez, a família do noivo presenteava o casal com uma propriedade na qual constituiriam a nova família. Foi somente na idade média que a ideia de planejar um enxoval de casamento – com lençois, porcelanas, pratarias –, começou a tomar forma. E estes itens iam sendo armazenados nos icônicos “baús da esperança“. Conhecidos em inglês como “Hope Chest“, estes baús eram oferecidos às meninas ainda pequenas, quando chegavam ao início da adolescência e se preparavam para serem apresentadas à sociedade. Neste baú, as jovens guardavam itens como lençois bordados, porcelanas brancas prontas para serem monogramadas, pratarias, e tudo o que fosse ofertado por parentes da jovem. Mas foi na Era Vitoriana que os convidados passaram a presentear o casal de forma mais parecida com a que conhecemos hoje, com itens que seriam uteis para a casa sendo oferecidos por amigos da família e parentes. O surgimento da Lista de Presentes A primeira lista de presentes de casamento foi criada em 1901, em Minnesota, nos EUA, quando um funcionário de uma loja decidiu anotar os presentes que um casal de noivos estava recebendo de seus convidados, para evitar presentes repetidos. A lista dele ficou tão completa que virou um guia pronto para ajudar outros casais, e assim foi repassada a amigos e amigos de amigos. Duas décadas depois, percebendo o grande potencial da lista de presentes, o megaempresário norte-americano Marshall Field’s criou, dentro da sua loja de departamentos, em Chicago, uma sala exclusiva para receber as noivas e o chamou de “The Wedding Bureau“, descrito como o lugar que “ajuda as noivas com seus enxoval e dúvidas sobre utilidades domésticas”. Ali, as noivas, junto com suas mães e amigas, poderiam escolher pessoalmente os itens de sua preferência, facilitando a vida dos parentes e amigos que pretendiam acertar na escolha dos presentes. A Lista de Presentes de Casamento ganha o mundo! A partir dos anos 50, a experiência realmente ganhou o mundo, com auxílio dos guias de etiqueta que aconselhavam as noivas a fazerem suas listas de presentes com forma de organizar melhor a casa nova e facilitar a vida dos convidados. Hoje, a maior parte dos casais mais antenados pelo mundo todo criam suas listas de presentes de casamentos, em lojas e sites de casamento, como a Lejour+Fast Shop, para facilitar a vida de quem quer exercer a gentileza de presentear os noivos. Do antigo costume do dote ao prático (e polêmico!) “pix”, a verdade é que os presentes de casamento e suas simbologias mudaram muito ao longo da história. Mas uma coisa é certa: todo casal que está iniciando uma vida junto adora receber o carinho das pessoas queridas. E, sem dúvida, quando este presente vem acompanhado de um belo cartão e votos de felicidade, ele reforça laços e cria espaço para novas celebrações! Manoela Cesar Manoela Cesar é palestrante, consultora, mentora e pesquisadora da História dos Rituais. Sempre que recebe um chamado, também celebra casamentos laicos. Posts mais recentes All Posts História do Casamento A revolução do casamento por amor em uma xícara de chá História do Casamento: a tradição da Lista de Presentes Categoria Business Wedding Colher de Chá Destination Lab História do Casamento Radar Wedding Business Tags Business Wedding Colher de Chá Destination Lab História do Casamento Radar Wedding Business